O Brasil caminha a passos largos para se tornar uma das cinco maiores economias do mundo. Segundo o Centro de Pesquisa Econômica e de Negócios da Inglaterra (CERB, na sigla em inglês), chegamos ao final de 2011 superando o Reino Unido e chegando a sexto nesse ranking, com um PIB de 2,9 trilhões de Reais. Alguns dos principais jornais do mundo apontam a crise bancária de 2008 e a crise financeira que persiste como principais motivos deste fato, mas poucos falam do ciclo econômico de expansão por que passa o Brasil, pelas políticas públicas de incentivo ao investimento e pela consolidação da gestão econômica e financeira do país.
Com o aumento de 22% para 30% da demanda mundial por produtos primários no comércio, o Brasil que sempre foi um grande produtor de commodities e rico em recursos naturais, vive um período de aquecimento na sua produção e comercialização destes produtos. Apesar de muitos especialistas criticarem essa política que enfraquece a indústria local, tirando investimento deste setor, algumas regiões do país aproveitam este momento promissor e emergem se tornar verdadeiros pólos de crescimento econômico e de desenvolvimento. Nestas regiões a combinação do crescimento do PIB per capita, do número de empregados formais e o aumento acima da média de empresa abertas se tornaram indicadores dos bons resultados regionais.
Em recente pesquisa realizada pela empresa de consultoria Deloitte, junto com a Revista Exame, elas chegaram a alguns dados que mostram o dinamismo destas regiões: crescimento real nos últimos três anos de 45%, enquanto no Brasil foi de 16%, e participação no PIB nacional com 5% (147 bilhões de Reais) do total, enquanto em 2008 foi de 4%. Foram identificadas as dez regiões mais dinâmicas de nosso país, excetuando dezoito microrregiões já consolidadas, mostrando que elas têm um ponto em comum: todas estão ligadas ao boom mundial das commodities.
É importante observar que estas regiões são produtoras de setores que, tradicionalmente, são ligadas a economias de baixa tecnologia e ultrapassadas, mas na verdade essa visão é apenas mitos, já que os setores de mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, predominantes nestas áreas, são altamente consumidores de alta tecnologia e de mão de obra qualificada, além de serem grandes indutores do surgimento e crescimento do comércio, dos serviços e da construção civil (Revista Exame edição 1006). As 10 regiões de destaque são: Sudeste do Paraense (Mineração e Metalurgia); Sul Maranhense (Logística e Armazenamento); Norte Potiguar (Petróleo, Gás e Energia Eólica); Sudeste Mineiro (Mineração e Turismo); Norte Fluminense e Sul Capixaba (Petróleo e Gás); Litoral Paranaense (Porto); Litoral Norte Catarinense (Porto e Turismo); Noroeste Gaúcho (Grãos e Agroindustria); Sul Goiano (Produção de etanol e Açucar); e Norte e Sudeste Mato-Grossense (Produção de Grãos e Agroindústria).
Segundo o economista prêmio Nobel de economia de 2008, Paul Krugman, outras regiões não tradicionalmente pólos econômicos vão se viabilizando após um ciclo de investimento do país em infra-estrutura, em redução dos custos de transporte, em oferta de mão de obra e surgimento de novas empresas. Esse fenômeno faz com os investimentos e a renda se concentre em algumas regiões e depois se expanda. É o que vivemos hoje no Brasil. Para nós baianos, é importante notar que, apesar do pólo agrícola do Oeste e do pólo petroquímico, esse já consolidado e fora da pesquisa, não temos nenhuma dessas dez regiões em nosso território, o que não deixa de preocupar, já que temos investimentos e potenciais nas quatro áreas apontadas pela pesquisa, mineração, agricultura, energia e logística de distribuição da produção agroindustrial, mas alguns elementos importantes ainda falta para fazer das nossas regiões serem apontadas como das mais dinâmicas do país.
André Gustavo de Araujo Barbosa, Doutorando e Mestre em Administração, Professor universitário de Graduação e Pós Graduação, Presidente do CDL/SAJ, Sócio Diretor da Intrends “Soluções para o futuro” e Analista do SEBRAE/BA. Contatos: andre.gustav@hotmail.com Twitter: @andregustavo