terça-feira, 11 de setembro de 2012

Economia baiana e o fator estatístico


Por Sérgio Gabrielli
No primeiro trimestre de 2012, o Produto Interno Bruto (PIB) da Bahia cresceu 4,8% em relação ao mesmo período de 2011, enquanto a expansão da atividade econômica brasileira marcou 0,8%. Alguns analistas afirmam que o crescimento estadual foi favorecido pelo efeito estatístico. Em parte isto é verdade, tendo sido, inclusive, externalizado no início do mês pelos técnicos da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais, autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento.

Adiante explico o que significa esse efeito, mas a questão central é se a economia baiana cresce ou não diante desse fato. A resposta é que o PIB baiano teria expansão de 3,6% no primeiro trimestre de 2012, o que significa que o ritmo de crescimento da nossa economia continuaria bem superior à nacional.

Para contextualizar, a indústria local produz basicamente produtos intermediários, o que significa que está fortemente atrelada ao crescimento da indústria no país. O fato do nosso parque industrial, particularmente química e refino, ser dependente da dinâmica nacional, não diminui o efeito da falta de energia de 2011, porque a produção não se realizou, mas explica a não recuperação, que teve como causas o reduzido crescimento brasileiro e a crise dos consumidores estrangeiros.

Diante da conjuntura internacional e da pouca expansão da indústria brasileira (0,1%), o Governo Federal, por meio do Plano Brasil Maior, adotou medidas de estímulo à indústria que trarão reflexos positivos para a Bahia. As ações buscam desonerar investimentos e exportações para enfrentar a apreciação cambial, fortalecer a defesa comercial, ampliar os incentivos fiscais e facilitar os financiamentos para agregação de valor nacional e competitividade das cadeias produtivas.

Quanto à influência do fator estatístico, a explicação é simples: no primeiro trimestre de 2011 a indústria de transformação baiana, maior expressão do PIB Industrial, foi afetada pela falta de energia e paradas técnicas no Polo Petroquímico, o que retraiu todo o setor industrial à época. Este ano, com a base de comparação deprimida, a indústria de transformação cresceu 6,1%. Em resumo, ao desconsiderarmos esse efeito estatístico, a indústria de transformação registraria queda de 0,7%, enquanto o PIB Industrial teria menor crescimento, passando de 4,7% para 1,7%.

Isso significaria menos 1,2% na taxa de crescimento da economia baiana no primeiro trimestre de 2012, que, ao invés de 4,8%, teria crescido os 3,6% – número que já contabiliza a variação dos impostos, também afetada por essa modificação estatística.

Os setores Agropecuário e Serviços sem dúvida tiveram os resultados impactados pelo longo período de estiagem. Mesmo assim, a safra de grãos está crescendo 2,8% em relação ao ano anterior, recorde até o momento. Não se pode dizer que está havendo queda nesse setor devido a sua base de comparação ser elevada (7,3%). A redução do ritmo de crescimento também é justificada pela diminuição das safras de cacau (-10%) e soja (-1,9%).
O setor de Serviços vai de vento em popa, com destaque para o Comércio (4,6%). É importante ressaltar isso porque, nos últimos anos, houve grande crescimento do mercado interno e as primeiras manifestações vêm do comércio e serviços. O comércio varejista, por exemplo, há sete meses tem uma sistemática elevação das vendas, o que só ocorre se a renda estiver crescendo. Além disso, comparando o volume de vendas, de cada mês com o mesmo do ano anterior, percebe-se que 2011 foi melhor do que 2010 e, este ano, supera o ano passado.

Além disso, temos a construção civil, cujas obras se multiplicam. O setor cresceu 8,9%, com destaque para a construção pública (10,2%). Os programas habitacionais Casa da Gente e Minha Casa, Minha Vida 1 e 2 estão acelerados, bem como as intervenções do programa Água Para Todos, que neste momento minimiza os efeitos da seca no estado. Em suma, a taxa do PIB baiano no primeiro trimestre deve ser comemorada, pois, apesar do efeito estatístico, ela foi bem acima do crescimento do país. E que venham os próximos trimestres.
Fonte: Jornal A Tarde 

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